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Webinário: A Crise Climática e a Amazônia

Na segunda-feira, 7 de junho, das 10 às 12h, acontece o webinário “A Crise Climática e a Amazônia“, gratuito e aberto ao público interessado.

Entre os convidados estão o professor Paulo Artaxo, do Instituto de Física da USP, que atua principalmente nas questões de mudanças climáticas globais e meio ambiente na Amazônia, e o climatologista e meteorologista José Marengo, coordenador-geral de Pesquisa e Desenvolvimento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), especialista em mudanças climáticas e Amazônia.

A atividade é fruto do Acordo de Cooperação Técnico-Educacional entre a Ecofalante e a USP, consolidado em 2018 por meio do Programa Ecofalante Universidades, da Superintendência de Gestão Ambiental (SGA-USP) e da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária (PRCEU-USP).

Além da transmissão ao vivo no canal do Youtube da SGA (link: https://www.youtube.com/watch?v=rWupVDszAyE), quem desejar participar da sala do debate (evento é aberto e gratuito) que ocorrerá na plataforma Zoom, poderá se inscrever no seguinte link: https://ecofalante.org.br/workshop/httpsecofalante-org-brworkshopwebinario-a-crise-climatica-e-a-amazonia.

Paulo Artaxo (Convidado)

Professor titular em Física Atmosférica do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP) e pós-doutor pela Universidade Harvard (EUA), Artaxo é membro titular da Academia Brasileira de Ciências (ABC), da World Academy of Sciences (TWAS) e de oito painéis científicos internacionais, entre eles o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) – onde integrou a equipe vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2007.

José Marengo (Convidado)

José Antonio Marengo Orsini é Pesquisador 1-A do CNPq. Atualmente é pesquisador titular e Coordenador Geral de Pesquisa e Desenvolvimento no CEMADEN (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais) ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação MCTI, onde trabalha com eventos extremos, desastres naturais e redução de risco aos desastres. É professor na pós graduação do INPE. É membro de vários painéis internacionais das Nações Unidas (IPCC, WMO).

Herton Escobar (Mediador)

Herton Escobar é um jornalista profissional, especializado na cobertura de ciência e meio ambiente. Graduado em jornalismo pela Western Michigan University (WMU), com formação complementar em jornalismo científico pelo Marine Biological Laboratory (MBL) e pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT). Foi por quase 20 anos repórter do jornal O Estado de S. Paulo, com mais de 2 mil reportagens publicadas em formato impresso e digital, sobre uma grande variedade de temas. Desde janeiro de 2015 é colaborador internacional da revista Science, nos Estados Unidos. Atualmente trabalha na Universidade de São Paulo, como repórter especial da Superintendência de Comunicação Social.

Resultado do concurso de projetos de fomento às iniciativas de gestão ambiental

RESULTADO

Edital SGA – Portaria SGA nº001, de 23 de Fevereiro de 2021

Relação dos projetos aprovados para ações de manejo em reservas ecológicas nos campi da Universidade de São Paulo (Edital SGA 001/2021).

UNIDADEPROJETO
PUSP-LQContenção de Resíduos para Recuperação de Microbacia em Campus Universitário” – Plano Participativo e Integrado de Restauração e Manejo da Microbacia do Monte Olimpo no Campus USP LQ.
PUSP-RPÁreas de Interesse Ecológico do Campus Ribeirão Preto-USP: proposta de sustentabilidade, interdisciplinaridade e indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão.
PUSP-FCPreservação da Biodiversidade nas Reservas Ecológicas do Campus USP Fernando Costa.
PUSP-SCElaboração de Plano de Ações para o Manejo e Gestão das Reservas Ecológicas da USP no campus de São Carlos.
ESALQ/DiretoriaÁgua e Reservas Ecológicas – Plano Participativo e Integrado de Restauração e Manejo da Microbacia do Monte Olimpo no Campus USP LQ – Piracicaba.
Parque CientecReflorestamento no Parque Cientec: Recuperação Integrada de Mata Degradada por Incêndio na Década de 1990.

Em parceria com a USP, plataforma de streaming oferece acervo de temática socioambiental

Ecofalante Play apresenta mais de 130 filmes disponíveis gratuitamente para uso educacional

A Ecofalante, organização da sociedade civil que atua nas áreas de cultura, educação e sustentabilidade e que desenvolve atividades em conjunto com a USP, lançou uma nova plataforma de streaming, a Ecofalante Play, para professores, educadores e instituições de ensino que desejam utilizar o cinema como ferramenta para discutir questões socioambientais contemporâneas na educação. 

O acervo conta com mais de 130 filmes, entre nacionais e internacionais, sobre temas como emergência climática, consumo, cidades, energia, conservação, economia, trabalho, saúde, entre outros. As obras são selecionadas a partir da curadoria da Mostra Ecofalante de Cinema, evento que acontece anualmente desde 2012 e é hoje o maior festival de cinema com temática socioambiental realizado na América do Sul. 

Com a criação da Ecofalante Play, o conteúdo oferecido pela Ecofalante se torna disponível gratuitamente e de forma virtual para todos os docentes da universidade. Para ter acesso aos filmes, os professores precisam realizar, na própria plataforma, um cadastro vinculado à sua instituição de ensino, podendo assim ter acesso ao catálogo de filmes e agendar uma sessão. 

“A parceria USP e Ecofalante já acontece há alguns anos e tem sido importante para discutir assuntos pertinentes à sociedade e que encontram apoio em especialistas de nossa universidade. Por meio de vídeos e debates, vários temas já foram abordados. No último ano, por exemplo, foi discutida a importância dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e sua relação com as Mudanças Climáticas que estamos observando atualmente”, destaca Tercio Ambrizzi, superintendente de Gestão Ambiental da USP e professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG). “Debates com pesquisadores altamente qualificados e sua divulgação para um público fora da universidade contribuem para conscientizar a sociedade sobre este e outros importantes assuntos”, diz Ambrizzi a respeito das Mostras de Cinema realizadas pela parceria.

Reg. 189-19 Tercio Ambrizzi. Superintendência de Gestão Ambiental (SGA). Foto: Marcos Santos/USP Imagens
Tercio Ambrizzi, professor da USP e superintendente de Gestão Ambiental da Universidade – Foto: Cecília Bastos / USP Imagens

Produções em destaque na plataforma

Entre os filmes que estão disponíveis na nova plataforma, destacam-se produções premiadas em diversos festivais ao redor do mundo e que foram sucesso na edição mais recente da Mostra Ecofalante de Cinema.

No eixo Emergência Climática, a produção francesa que rodou inúmeros festivais internacionais Breakpoint: Uma Outra História do Progresso, dirigida por Jean-Robert Viallet, analisa 200 anos de desenvolvimento para fornecer uma visão alternativa de nossa história do progresso. A Era das Consequências (EUA) investiga, pelas lentes da Segurança Nacional norte-americana, os impactos das mudanças climáticas em conflitos ao redor do mundo, revelando como a escassez de água e alimentos, a seca, as condições climáticas extremas e a elevação do nível do mar funcionam como “catalisadores de conflitos”. O filme é assinado por Jared P. Scott, mesmo diretor de A Grande Muralha Verde, documentário produzido por Fernando Meirelles. Já Obrigado, Chuva (Noruega/Reino Unido) é assinado por Julia Dahr, eleita pela Forbes como uma das 30 personalidades jovens que estão definindo a mídia mundial. A cineasta acompanha um pequeno agricultor queniano para registrar os impactos das mudanças climáticas e a obra foi selecionada para os festivais IDFA – Amsterdã, CPH:DOX e Hot Docs.

O tema Consumo conta com Ladrões do Tempo, uma coprodução Espanha/França dirigida por Cosima Dannoritzer que investiga como o tempo se tornou uma nova fonte cobiçada. Premiada no United Nations Association Film Festival, a obra ouve especialistas para revelar o quanto a monetização do tempo, por um sistema econômico agora predominante, afeta a vida cotidiana. Temos ainda o canadense Beleza Tóxica, de Phyllis Ellis, exibido no festival HotDocs – um documentário contundente sobre a falta de regulação da indústria cosmética e sobre o verdadeiro custo da beleza; e O Custo do Transporte Global, coprodução entre a Espanha e a França dirigida pelo vencedor de mais de 30 prêmios internacionais Denis Delestrac, que faz uma audaciosa investigação sobre o funcionamento e a regulamentação da indústria de transporte oceânico – que movimenta 90% dos bens que consumimos -, assim como os impactos socioambientais ocultos.
Na temática Campo, o filme Os Despossuídos (Canadá/Suíça), dirigido por Mathieu Roy como um misto de cinéma vérité e ensaio audiovisual, promove uma jornada impressionista que nos revela, em uma era de agricultura industrializada, a luta diária da classe camponesa faminta. Dolores (EUA), de Peter Bratt, ganhou repercussão no Festival de Sundance e premiações em São Francisco e Seattle ao focalizar Dolores Huerta, líder trabalhista e uma das mais importantes ativistas dos direitos civis da história dos Estados Unidos. O austríaco Espólio da Terra, de Kurt Langbein, retrata investidores globais tanto em seu discurso sobre economia sustentável e prosperidade quanto em suas contradições: despejos, trabalho escravo e fim dos pequenos proprietários.

Já na categoria Povos Tradicionais destaca-se produção brasileira Amazônia Sociedade Anônima, na qual o diretor Estêvão Ciavatta focaliza índios e ribeirinhos que, em uma união inédita liderada pelo Cacique Juarez Saw Munduruku, enfrentam máfias de roubo de terras e desmatamento ilegal para salvar a floresta Amazônica. O documentário Resplendor, de Claudia Nunes e Erico Rassi, ganhou o Prêmio do Público de Melhor Curta na 9ª Mostra Ecofalante ao retratar um capítulo ainda muito obscuro da nossa história: a existência de um centro de detenção indígena, na cidade de Resplendor (MG), chamado Reformatório Krenak. Martírio, dirigido por Vincent Carelli em colaboração com Ernesto de Carvalho e Tatiana Almeida, busca as origens do genocídio praticado contra os índios Guarani Kaiowá. A produção foi premiada no Festival de Brasília, na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e no Festival de Mar del Plata. 

Programa Ecofalante Universidades

A plataforma Ecofalante Play faz parte do Programa Ecofalante Universidades, criado em 2017 com o objetivo de levar para o ambiente educacional uma seleção de filmes que motivam a reflexão e o debate sobre questões atuais da realidade brasileira e mundial. O programa possui Termos de Cooperação Técnica-Educacional com todas as universidades públicas no estado de São Paulo – USP, Unicamp, Unesp, UFABC, Unifesp e UFSCar –  e realiza anualmente centenas de sessões de filmes seguidas de debates em parcerias com dezenas de instituições de ensino no país. 

O Programa Ecofalante Universidades vem fomentando a realização de Mostras promovidas pelas instituições, exibições de filmes em aulas e encontros técnicos, a criação de disciplinas, cursos, mini cursos e projetos de extensão. “Não existe uma única fórmula, as relações são construídas de forma customizada com cada professor e instituição, de acordo com os diferentes projetos educacionais e respeitando as realidades regionais. Acho que é por isso que o programa está crescendo e dando certo”, esclarece Chico Guariba, diretor da Mostra
Ecofalante de Cinema e coordenador do Programa.

O Ecofalante Universidades é viabilizado através da Lei de Incentivo à Cultura e tem patrocínio do Valgroup e da Colgate. É uma produção da Doc & Outras Coisas e realização da Ecofalante, do Ministério do Turismo, Secretaria Especial da Cultura e do Governo Federal.

Acesso à plataforma: https://play.ecofalante.org.br

Matéria original: https://jornal.usp.br/universidade/em-parceria-com-a-usp-plataforma-de-streaming-oferece-acervo-de-tematica-socioambiental/

Cidade Universitária ganha nova área de reserva ecológica

O anúncio da nova reserva ecológica da Cidade Universitária aconteceu durante a Semana do Meio Ambiente (Foto: Divulgação / Prefeitura do Campus da Capital)

Uma extensão de dez hectares, coberta com vegetação nativa da Mata Atlântica e localizada no Viveiro das Mudas da Rua do Matão, na Cidade Universitária “Armando de Salles Oliveira”, é a nova área de reserva ecológica da USP. Uma portaria publicada no Diário Oficial, no dia 21 de junho, determina a preservação permanente da área, que passa a ser destinada a conservação, restauração, pesquisa, ensino e extensão.

“Ações como essa representam um grande progresso, pois são fruto de uma mudança de comportamento que está se fortalecendo na USP. São iniciativas que se alinham a uma nova visão da Universidade, que procura se comunicar cada vez mais com a sociedade, valorizar e cuidar de seus bens permanentes e respeitar os direitos das pessoas e do meio ambiente. Essa mudança de comportamento é fundamental porque não se trata apenas da preservação do nosso patrimônio, mas também da formação de nossos estudantes que farão parte da sociedade e disseminarão esses exemplos para o resto do país”, destaca o reitor Marco Antonio Zago.

A nova reserva expande ainda mais o percentual de áreas verdes preservadas da Universidade – que já dedica mais de 30% de seus 7.600 hectares quadrados de território para a conservação. Ao todo, seis campi possuem áreas consideradas reservas ecológicas: Lorena, Piracicaba, Ribeirão Preto, Pirassununga, São Carlos e São Paulo (distribuídas entre a Cidade Universitária e o Parque CienTec, na Água Funda), todas regulamentadas por uma legislação interna.

A maior parte dessas reservas foi criada em 2012, quando a Universidade determinou que 2.165,98 hectares (ha) de seu território seriam transformados em reservas ecológicas. Até então, a única área declarada protegida era a Reserva Florestal do Instituto de Biociências (IB), com 10,2 ha e localizada também no campus de São Paulo.

“A criação de uma nova área protegida na Cidade Universitária é muito significativa porque uma tendência atual é a preservação do que já está em condições ecologicamente equilibradas. Ao determinar a preservação dessas reservas, a Universidade contribui tanto para a sua permanência quanto para a realização de pesquisas”, afirma a superintendente de Gestão Ambiental, Patrícia Faga Iglecias Lemos.

No dia 9 de junho, alunos da Escola de Aplicação plantaram vinte mudas de árvores na Raia Olímpica do Cepeusp. No centro, a superintendente Patricia Iglecias (Foto: Marcos Santos/USP Imagens)

Semana do Meio Ambiente

O anúncio da criação da nova reserva ecológica da Cidade Universitária aconteceu durante a Semana do Meio Ambiente, realizada entre os dias 5 e 9 de junho e marcada por atividades organizadas por diversas Unidades da USP.

Como parte de sua programação, a Superintendência de Gestão Ambiental (SGA) promoveu, no dia 9 de junho, o plantio de vinte mudas de árvores na Raia Olímpica do Centro de Práticas Esportivas da USP (Cepeusp), com a participação de estudantes da Escola de Aplicação.

“Não é só no dia 5 de junho, Dia Internacional do Meio Ambiente, que devemos nos lembrar da causa ambiental. É fácil perceber que a nossa qualidade de vida é melhor quando estamos em um ambiente com árvores, e estas que estamos plantando hoje são um benefício não só para nós, mas também para as gerações futuras. No Brasil, temos direito a um meio ambiente equilibrado e devemos cobrar isso dos governantes”, afirmou Patrícia.

Também foram realizadas trilhas ecológicas guiadas por monitores – na Raia Olímpica e no Parque CienTec – e o lançamento oficial do aplicativo BioExplorer, um jogo em que os participantes capturam e colecionam animais e personagem do folclore brasileiro.

Inspirado no jogo Pokémon GO e desenvolvido pela equipe do Núcleo de Pesquisa em Biodiversidade e Computação (NAP BioComp), o BioExplorer é um aplicativo de realidade aumentada com animais da Mata Atlântica. Sua primeira versão conta com quatro animais: o lobo-guará, a capivara, o carcará e a onça-pintada, que aparecem em um raio de 35 metros do jogador.

Ao encontrar cada um deles, os animais se apresentam com uma mensagem a respeito dos problemas do meio em que vivem. Uma vez que o participante interagiu com o personagem, ele fica disponível em um álbum de figurinhas virtual, no qual poderá revisitar as informações quando quiser. Depois de conhecer todos, um personagem folclórico é desbloqueado, o Saci-Pererê.

“A ideia era utilizar a tecnologia para desenvolver um jogo que atraísse os jovens e abordasse a questão da biodiversidade, incluindo também personagens da mitologia brasileira”, explicou o professor da Escola Politécnica (Poli) e coordenador do núcleo, Antônio Mauro Saraiva.

O desenvolvimento do aplicativo foi feito em conjunto com outras unidades da USP: além da Poli, participaram o Instituto de Biociências (IB), o Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG), a Escola de Comunicações e Artes (ECA), o Parque de Ciência e Tecnologia (CienTec) e o Centro de Práticas Esportivas da USP (Cepeusp), e também teve o apoio financeiro da SGA. “O interesse da Superintendência ao adotar o BioExplorer como um de seus projetos-piloto é que ele possa ser replicado também em outros campi da Universidade”, explicou a superintendente.

As próximas versões do aplicativo contarão com mais animais e personagens folclóricos e, dependendo da recepção do BioExplorer, novos apps do gênero podem ser criados. O aplicativo é gratuito e está disponível para download e atualização nas lojas App Store e Google Play.

Matéria original: https://jornal.usp.br/?p=95242

Diversidade de espécies faz de São Carlos um museu a céu aberto

Ipês-amarelos circundam o Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da USP, em São Carlos – Foto: Museu da Fauna e da Flora do ICMC

São tantas as espécies de plantas e animais presentes no campus 1 da USP em São Carlos que o espaço foi transformado em um museu que não cobra ingresso e nunca fecha. Por iniciativa do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC), que é uma das cinco unidades que integram o espaço localizado no centro da cidade, a flora e a fauna do espaço começaram a ser fotografadas, catalogadas e até mesmo gravadas – que é o caso dos sons dos pássaros que passam por lá.

Iniciado em 2013, o projeto Museu da Fauna e da Flora do ICMC já registrou mais de 50 espécies arbóreas no campus 1, totalizando cerca de 400 plantas, entre elas algumas nativas, como o famoso pau-brasil, e mesmo espécies exóticas, como as palmeiras. Muitas receberam uma placa de identificação, informando características como seu nome e origem, mas novidades vêm aí.

Placa de identificação em espécies do campus 1 – Imagem: Divulgação / ICMC

“Queremos implantar um dispositivo nas árvores chamado beacon, a partir do qual será possível criar um caminho virtual. Por meio de um aplicativo, os visitantes poderão aproximar o celular das espécies e obter informações em áudio e vídeo sobre elas”, adianta a professora Kalinka Castelo Branco do Departamento de Sistemas de Computação do ICMC.

E além das plantas, pássaros diversos e outros animais, como lagartos e gambás, também dividem o espaço com a comunidade universitária. As árvores já foram visitadas por uma arara e até mesmo por um macaco-prego, animal ameaçado de extinção.


Ecomuseu virtual

Todas as informações coletadas até o momento pelo museu estarão disponíveis em uma plataforma na internet, em fase de reformulação. Kalinka explica que a base do sistema foi construída a partir do Memória Virtual, um sistema web desenvolvido pelo Núcleo de Apoio à Pesquisa em Software Livre (NAPSol) da USP para catalogar e difundir informações sobre acervos históricos, incluindo bens naturais como bichos e plantas.

Esse sistema está sendo aperfeiçoado em parceria com o Mestrado Profissional em Rede Nacional para Ensino das Ciências Ambientais (PROFCIAMB), sediado na Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP. “Estamos criando um processo para a geração de museus virtuais, com diferentes interfaces para o usuário, dependendo do seu interesse”, comenta a pesquisadora.

O projeto do Museu da Fauna e da Flora do ICMC envolve ainda visitas monitoradas, palestras, cursos e exposições, incentivando a comunidade a preservar as áreas verdes do campus 1.


Cuidado compartilhado

Atento ao seu entorno e à importância de evitar danos e acidentes, São Carlos foi o primeiro campus da USP a formar uma brigada de arboristas. “Ela foi criada nos moldes das brigadas de incêndio. É uma forma de distribuir a tarefa de cuidar das nossas árvores e ajudar na manutenção e segurança da comunidade”, explica Paulo Ernesto Celestini, analista do Gabinete de Planejamento e Gestão do ICMC.

O projeto piloto envolveu o treinamento de alunos, professores e funcionários, que aprenderam, entre outras atividades, a identificar áreas de risco no campus e a apontar árvores que precisam de inspeção.

“As árvores já existiam no campus 1 antes mesmo de a USP chegar, então elas vão envelhecendo, algumas ficam doentes. Isso acontece em outros campi também, por isso nossa ideia é que a iniciativa seja estendida a outras localidades”, complementa Celestini.

Vista aérea do campus 1 de São Carlos que fica no centro da cidade – Imagem: Google Earth
Campus 2 da USP em São Carlos tem 35,7 hectares de área de reserva ecológica – Foto: Edmilson Luchesi

Mais verde: o campus 2

Mas toda essa riqueza diz respeito apenas à chamada “área 1” do campus, no centro da cidade. Em São Carlos, a USP tem ainda um outro espaço, com mais de 100 hectares, conhecido como campus 2 e que concentra suas áreas de reserva legal e de preservação permanente.

Segundo dados da Superintendência de Gestão Ambiental (SGA) da USP, a reserva ecológica de São Carlos corresponde a quase 23% da área total dos dois campi, totalizando 35,7 hectares (ou aproximadamente 357 mil metros quadrados), todos situados no campus 2. Ali, pouco mais de 214 mil metros quadrados são de reserva legal, enquanto os outros 143 mil são áreas de preservação permanente.

O local está localizado na bacia hidrográfica do Córrego Mineirinho, em um terreno doado por empresas à Universidade.

Placa visa conscientizar usuários sobre o valor da fauna e da flora nativas – Foto: Sônia Costardi

O campus tem vegetação exótica, representada por pinus, capim braquiária e remanescentes de plantações de cana-de-açúcar, e ainda áreas de vegetação nativa, formadas por florestas ribeirinhas ou de galeria, campos úmidos, matas de brejo e cerrado. Há inúmeras espécies de árvores pioneiras (como algodoeiro, grão-de-galo, pimenteira-rosa, timburi, entre outras) e não pioneiras (araucária, cedro-rosa, chupa-fero, diversos ipês, mogno e pau-brasil são apenas algumas).

Animais são diversos também. Cachorros-do-mato, raposas, tamanduás-bandeira, veados, vários tipos de cobra (incluindo cascavel e jiboia) e grande variedade de pássaros já foram vistos no local.

Trabalhos de recuperação florestal da área 2 com o plantio de mudas nativas vem sendo feitos desde 2010, segundo a arquiteta Sônia Costardi, da Divisão de Manutenção e Operação da Prefeitura do Campus USP de São Carlos. Essas atividades contaram com variada colaboração de alunos dos mais diversos cursos da Universidade e perduram até hoje. As áreas do campus 2 que foram alvo destas ações já  receberam mais de 3500 mudas, o que visa compensar também a perda de 306 árvores suprimidas do campus 1 de agosto de 2010 a janeiro de 2017.

Atualmente, o projeto de uma trilha margeando parte da reserva legal está em discussão e planejamento.

Reserva ecológica do campus 2 da USP compreende a região em verde escuro no mapa – Imagem: Google Earth

Matéria original: https://jornal.usp.br/?p=92906

Em Ribeirão Preto, USP transformou fazenda de café em área verde

Vista aérea do campus da USP e da cidade de Ribeirão Preto mostra o contraste da área verde – Foto: Silvio Tucci Tucci Jr.

Entre 1870 e 1940, o espaço onde hoje está instalada a USP em Ribeirão Preto abrigou uma fazenda de café chamada Monte Alegre – o primeiro local da cidade a receber luz elétrica. Em 1940, a região foi desapropriada pelo governo do Estado para a construção da Escola Prática de Agricultura Getúlio Vargas, mas alguns anos depois, em 1952, o terreno e o prédio passariam a ser propriedade da Universidade. O objetivo era a instalação da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP), a primeira unidade do novo campus.

Dessa época até 1986, grande parte da Mata Atlântica do entorno do campus foi derrubada e arrendada para o plantio da cana-de-açúcar. Em 1981, o professor José Eduardo Dutra instalou a Coordenadoria e Conselho do Campus em Ribeirão Preto e, entre as medidas tomadas para melhoria das áreas verdes, estava a elaboração do primeiro projeto de reflorestamento do campus pelo Fundo de Construção da USP.

A ideia era reconstituir a floresta que ocupava originalmente a região antes da plantação dos pés de café. A partir de então, novas medidas foram sendo adotadas, como a formação de uma brigada de incêndio florestal, a colocação de cercas nas áreas limítrofes e limpeza em volta das árvores.

Em 1997, o projeto foi reformulado com a criação de uma Comissão de Reflorestamento e a implantação foi dividida em duas etapas. A primeira delas, iniciada no ano seguinte, abrangeu uma área de 30 mil metros quadrados, onde foram plantadas 116 mil árvores de 70 espécies nativas das bacias do Rio Pardo e do Rio Mogi-Guaçu – ela foi denominada Área de Recomposição.

À esquerda, prédio da então Escola Prática de Agricultura Getúlio Vargas e o vazio de árvores ao seu redor. À direita, o mesmo prédio, agora Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, após reflorestamento realizado pela USP – Fotos: Arquivo/Silvio Tucci Jr

A segunda etapa foi implantada entre 2000 e 2004 e incluiu a fundação do chamado Banco Genético, que ocupa 45 hectares. Nessa área, mais 90 mil mudas de 45 diferentes espécies foram plantadas, provenientes de mais de 3,3 mil árvores-mãe (25 para cada espécie em três repetições), cujas sementes foram coletadas em mais de 400 fragmentos remanescentes de mata nativa das duas bacias.

Flagrante de um gambá no campus -Foto: Gabriel Soares

Toda a área de reflorestamento ficou conhecida como a Floresta da USP em Ribeirão Preto. O projeto é considerado pioneiro com implantação aliada a conceitos de sucessão ecológica, plantio matematicamente planejado e a formação de um banco genético que representa uma fonte de sementes de alta qualidade genética para a propagação para outras áreas degradadas da região.

Localizada na região noroeste do campus, atrás do Departamento de Biologia e das Sessões de Parques e Jardins e de Transporte – tendo como ponto de referência o acesso pela Avenida do Café, a floresta estende-se próximo às dependências do Hospital das Clínicas e faz divisa com o bairro Jardim Paiva, ocupando uma área de 75 hectares.

O uso do local para diversos estudos e pesquisas científicas foi viabilizado por meio do CEEFLOR, o Centro de Estudos e Extensão da Floresta da USP. Durante muitos anos, a professora Elenice Mouro Varanda, aposentada, foi coordenadora do CEEFLORUSP. Atualmente, o cargo é do professor Tomas Ferreira Domingues.

A Floresta da USP teve ainda uma grande contribuição para um aumento de 20% da cobertura vegetal da área urbana do município de Ribeirão Preto e para o retorno da fauna nativa. Também é notável o aumento da vazão das minas existentes no campus e o surgimento de uma nova nascente d´água. Espécies nativas bastante populares como ipê-branco, ipê-amarelo, jequitibá-rosa, quaresmeira, paineira, jacarandá, jenipapo e embaúba, já produzindo flores e frutos, podem ser vistas no campus.

No total, a USP em Ribeirão Preto possui 168,95 hectares (1,6 milhão de metros quadrados) de reservas ecológicas, segundo número da Superintendência de Gestão Ambiental (SGA) da USP, o que corresponde a 28,82% da área total do campus.

Árvores de ipê-branco próximo ao lago – Foto: Gabriel Soares
Rua do campus de Ribeirão Preto – Foto: Guarda Universitária

O Banco Genético in vivo

O Banco Genético da Floresta da USP é dividido em três módulos e apresenta uma grande variabilidade dentro das 45 espécies de árvores que ocupam o local. O professor Domingues, coordenador do CEEFLOR da USP, explica que a diversidade genética é importante para aumentar a capacidade das espécies de sobreviver diante de distúrbios que ocorrem na natureza, como o ataques de pragas ou eventos extremos, a exemplo de períodos de seca ou geadas.

A área já passou por dificuldades, por conta de alguns incêndios que atingiram o local.

Corujas são comuns na USP em Ribeirão Preto – Foto: Gabriel Soares

“Nesse tipo de mata, incêndios são pouco usuais, por isso, eles foram muito danosos. Poucas espécies possuíram a capacidade de se recuperar após o caso e houve uma mortalidade bastante acentuada em algumas áreas do Banco Genético. O nosso trabalho, agora, é fazer justamente o levantamento das espécies e das áreas que foram afetadas, para construir uma estratégia de recomposição e o enriquecimento desse banco genético”.
Tomas Ferreira Domingues, coordenador do CEEFLOR da USP

Hoje, há um monitoramento das áreas, com câmeras instaladas em torres. Elas tornam possível à Guarda Universitária acompanhar, em tempo real, tudo que acontece na mata. Caso seja detectado algum sinal de fumaça, ações são tomadas imediatamente para impedir o alastramento do fogo.

O professor também explicou que há um grande interesse dos alunos em explorar o banco. Eles desenvolvem trabalhos sobre a área da floresta, envolvendo pesquisas com árvores, insetos, entre outros, contemplando características biológicas das espécies, como também as comunidades de mamíferos e aves.

Ave de rapina – Foto: Guarda Universitária

As pesquisas com abelhas

Um ponto interessante na fauna do campus em Ribeirão Preto são as diversas pesquisas sobre abelhas. Elas começaram em 1964, quando os professores Warwick Estevam Kerr e Ronaldo Zucchi, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Rio Claro, foram trabalhar na USP. O primeiro docente já estudava a genética de abelhas e o segundo pesquisava o comportamento delas. Assim, foi criado um grupo de pesquisadores no campus para explorar os mais diversos conceitos envolvendo esses insetos.

O grupo foi crescendo com o tempo e, em 1971, com a abertura dos programas de pós-graduação na Faculdade de Medicina, alguns pesquisadores de renome internacional de universidades como a de Hokkaido, no Japão, e de Buenos Aires, na Argentina, foram convidados para ministrar disciplinas e orientar pós-graduandos.

O número de alunos pesquisando abelhas aumentou ainda mais com o início do Programa de Pós-Graduação em Entomologia no Departamento de Biologia da Universidade, em 1980. Atualmente, o campus é mundialmente reconhecido por suas pesquisas com abelhas africanizadas e possui a maior coleção de abelhas sociais sem ferrão (Meliponini) do mundo, além de desenvolver atividades como o Encontro sobre Abelhas de Ribeirão Preto, principal evento científico sobre pesquisas com abelhas no Brasil.

Mapa do campus de Ribeirão Preto que compreende regiões em verde escuro – Imagem: Google Earth

Matéria original: https://jornal.usp.br/?p=79530

Reservas ecológicas ocupam 30% do território da USP

A USP, famosa por possuir o vestibular mais concorrido do País e os cursos mais bem avaliados pelos rankings universitários, também é conhecida por suas extensas áreas verdes. Com uma rica variedade de fauna e flora, a Universidade atrai a população paulista para lazer, esporte e descanso dentro dos seus campi. Dos mais de 76 milhões de metros quadrados de território da Universidade, mais de 23 milhões são de áreas verdes preservadas, segundo dados da Superintendência de Gestão Ambiental, o corresponde a 30,1%.

Vista aérea do bosque do ICB – Foto: Jorge Maruta/USP Imagens

Nesta segunda-feira, 5 de junho, quando é comemorado o Dia Internacional do Meio Ambiente, o Jornal da USP inicia uma série de reportagens sobre as reservas ecológicas da Universidade.

Seis campi possuem áreas consideradas reservas ecológicas: Lorena, Piracicaba, Ribeirão Preto, Pirassununga, São Carlos e São Paulo (distribuídas entre a Cidade Universitária, no Butantã, e o Parque CienTec, na Água Funda), todas regulamentadas por uma legislação interna.

Patrícia Iglecias, superintendente de Gestão Ambiental da USP, conta que são áreas de Mata Atlântica e Cerrado fragmentadas que servem ao propósito de restauração, conservação, pesquisa e extensão.

Embora seja sempre preferível áreas de proteção unidas e não fragmentadas, os chamados Corredores Ecológicos, Patrícia explica que os fragmentos atendem aos propósitos da Universidade. “Do ponto de vista ambiental, os corredores ecológicos têm um benefício ambiental muito grande, conseguir unir áreas é melhor. Mas na Universidade, onde já foram feitas construções, identificar partes vale a pena porque pode se desenvolver pesquisa”, conta.

Reservas ecológicas

A maior parte das reservas ecológicas da USP foi criada por meio de uma portaria da Reitoria em 2012. De acordo com a Superintendência de Gestão Ambiental (SGA), naquela época, foram declarados 2.165,98 hectares (ha) de reservas ecológicas. Até então, a única área declarada protegida tinha sido a Reserva Florestal do Instituto de Biociências (IB), com 10,2 ha e localizada no campus da Cidade Universitária.

Os últimos dados disponibilizados pela SGA mostram que as reservas ocupam 2.312,29 hectares. A maior reserva se encontra no campus de Piracicaba, com 1.111,88 hectares de extensão. Já em Pirassununga está a maior proporção de reserva em relação à área do campus – 38,86%.

Nesta terça-feira, 6 de junho, o reitor assinará a portaria de criação de mais uma área protegida no campus da Cidade Universitária.

DADOS EM HECTARE (ha) POR CAMPUS DA USP

CampusÁrea de reserva ecológica em haÁrea total do campus em  ha% de reserva ecológica em relação a área total de cada campus
Bauru15,68—-
Lorena8,1637,3421,85
Piracicaba1.111,883.825,4029,07
Ribeirão Preto168,95586,328,82
Pirassununga881,622.269,0038,86
São Paulo106,01791,9713,39
São Carlos35,71155,4722,97
Total2.312,297.681,1630,10
Fonte dados: 1. Levantamento sobre o uso e ocupação territorial dos Campi para apoiar a elaboração do Plano de Gestão Ambiental de Uso e Ocupação Territorial da USP, 2016; 2. Anuário Estatístico da USP, 2014.

Essas reservas, ressalta Patrícia Iglecias, são protegidas por uma legislação interna da Universidade. No Brasil, há legislações diferentes de acordo com a especificidade dos espaços: as Áreas de Preservação Permanente são áreas naturais intocáveis onde não é permitida a exploração econômica direta; as Unidades de Conservação são áreas que devem ser protegidas por possuir alguma característica especial; e a Reserva Legal é a área do imóvel rural que, coberta por vegetação natural, pode ser explorada com o manejo florestal sustentável.

No caso, a USP demarcou essas reservas por iniciativa própria. “É importante lembrar que essas reservas não estão naquele conceito da lei. Não é que a lei obriga a preservar, esse é um plus que a Universidade está oferecendo para a sociedade, que é de ter essas áreas protegidas”, explica a superintendente.

Ela compara essa ação da Universidade com as chamadas Reservas Particulares do Patrimônio Natural, que são propriedades protegidas por decisão de seus proprietários. Além do benefício de se ter mais áreas verdes sendo conservadas e restauradas no Estado de São Paulo, Patrícia também aponta a vantagem de se utilizar essas locais como “laboratório” para a sociedade. Os alunos podem desenvolver pesquisas nas reservas e implementar políticas que mais tarde podem se tornar políticas públicas para as cidades. 

A Universidade é um grande laboratório para a cidade, para o Estado e para as políticas públicas.

Política Ambiental da Universidade

Juntamente com a criação da Superintendência de Gestão Ambiental, em 2011, nasceu o planejamento para a Política Ambiental da USP. É um documento que direciona e legitima as ações socioambientais na Universidade.

Com ajuda de voluntários, foram separados grupos de trabalho para definir políticas específicas. Foram 12 grupos como: Águas e Efluentes, Áreas Verdes e Reservas Ecológicas, Edificações Sustentáveis, Educação Ambiental, Redução de Emissões de GEE e GP, Energia, Fauna, Mobilidade, Resíduos Sólidos, Sustentabilidade na Administração, Política Ambiental na Universidade e Uso e Ocupação Territorial.

Patrícia Iglecias, superintendente de gestão ambiental - Foto: Jorge Maruta/USP Imagens
Patrícia Iglecias, superintendente de Gestão Ambiental – Foto: Jorge Maruta/USP Imagens

A intenção é de que essas diretrizes sirvam de orientação para a criação de planos sustentáveis focados em cada campus, instituto e, se possível, departamento. A Política Nacional de Resíduos Sólidos, criada em 2010, foi a base para a criação das políticas da Universidade, que foram separadas em quatro fases.

A primeira traçou os objetivos e diretrizes a serem seguidas; a segunda, a definição dos planos e metas para cumprimento das políticas; a terceira, os planos diretores com 11 capítulos temáticos para cada campus; e a quarta fase são os programas sustentáveis de cada faculdade ou departamento.

Atualmente, a USP se encontra finalizando a fase 2, com as políticas já aprovadas em todos os campi, com exceção do de São Paulo. Em seguida vem a fase de implementar os planos diretores. “São muitos temas, não íamos conseguir implementar todos esses temas de uma vez, então qual foi a ideia da Superintendência? Trabalhar com projetos piloto”, Patrícia explica.

Os projetos piloto são projetos de sustentabilidade que já existem e recebem o apoio do órgão. Por exemplo, o projeto de cobertura viva no prédio da Faculdade de Direito (FD) da USP, ou a recuperação da Floresta da USP e a criação de um banco genético de espécies nativas no campus de Ribeirão Preto.

Patrícia destaca que apesar de existir uma política para toda a Universidade, cada campus tem sua particularidade em termos de fauna e flora. A intenção é, ao final desse trabalho de implementação das políticas, reunir todos os dados ambientais de cada campus em um sistema corporativo informatizado.

“Eu acho que o sistema é fundamental para a gente ter um controle de tudo isso que está sendo programado como políticas da Universidade. O ideal é quanto mais informação a gente tiver, melhor”.

Vista aérea da Cidade Universitária, na capital – Foto: Jorge Maruta/USP Imagens

Semana do Meio Ambiente na USP

Várias unidades da Universidade organizaram uma programação para celebrar o meio ambiente nos próximos dias. Na Cidade Universitária, serão realizadas trilhas ecológicas e o lançamento de um aplicativo inspirado no jogo Pokémon GO com animais da Mata Atlântica. No Quadrilátero Saúde/Direito, a semana terá aulas temáticas, food trucks, distribuição de mudas, exibição de vídeos, entre outras atividades.

No interior, Bauru traz como novidade de 2017 o Prêmio Estímulo ao Jovem Ambientalista do Campus USP Bauru. Com oficinas, intervenções educativas e atividades práticas, o campus de Piracicaba quer sensibilizar a comunidade sobre a importância dos cuidados com o meio ambiente para a melhoria da qualidade de vida.

Matéria original em: https://jornal.usp.br/?p=68711

USP declara mais 1.183 hectares como reservas ecológicas

Portaria assinada pelo reitor João Grandino Rodas, em 20 de setembro, declarou mais 1.183 hectares de áreas situadas nos campi da USP como reservas ecológicas. No dia 5 de junho deste ano, 1.116 hectares referentes a 23 áreas localizadas nos seis campi já haviam sido declaradas como reservas ecológicas.

Área do Parque CienTec, localizado no bairro Água Funda, foi declarada como reserva ecológica
Área do Parque CienTec, localizado no bairro Água Funda, foi declarada como reserva ecológica. Foto: Marcos Santos.

As novas reservas estão localizadas no Parque CienTec, localizado no bairro da Água Funda, em São Paulo; no campus de São Carlos; na Estação Experimental de Ciências Florestais de Itatinga e na Estação Experimental de Ciências Florestais de Anhembi, ambas ligadas à Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq).

O montante de áreas declaradas como reservas ecológicas nos campi neste ano representa iniciativa inédita da Universidade nos últimos quarenta anos. A única vez que uma área foi declarada como reserva na USP foi na década de 70. O local fica próximo ao Instituto de Biociências (IB), na Cidade Universitária, e tem extensão de 10,2 hectares. A condição de reserva propiciou grande número de pesquisas, aulas de campo e, hoje, passa por processo de recuperação natural da floresta, que se encontrava parcialmente degradada.

“Na atual gestão, a USP avançou no cuidado do meio ambiente graças a duas importantes ações: pela determinação, conforme portaria nº 5.931, de 19/07/11, de que as atividades de cunho ecológico já existentes e a serem criadas na Universidade ficassem sob a supervisão do superintendente de gestão ambiental; que redundou, em fevereiro de 2012, na criação da Superintendência de Gestão Ambiental, pelo Conselho Universitário; e na declaração de mais de dois mil hectares de seus campi como reservas ecológicas, que propiciará, quanto à atual geração, quanto às vindouras, local ímpar para o desenvolvimento de ensino e pesquisa, bem como para o lazer ambiental”, destaca o reitor João Grandino Rodas.

A maioria das recém-declaradas reservas ecológicas é composta por fragmentos de florestas e cerrados, que ainda mantêm integridade estrutural e funcional.

Segundo o superintendente de Gestão Ambiental da Universidade, Welington Braz Carvalho Delitti, “o objetivo é estabelecer as áreas de conservação da fauna, flora e processos ecológicos em relação às demandas da Universidade, conservando e restaurando, ao máximo, a biodiversidade nativa dos campi. Pretende-se estabelecer bases para o manejo integrado dos recursos da USP em um cenário com diversas demandas de espaço”. Essas reservas devem ser objeto de inúmeras ações acadêmicas nos próximos anos, resultando em dissertações, teses e trabalhos de iniciação científica, além de atividades de ensino e extensão.

Matéria original em: https://jornal.usp.br/?p=25069